domingo, 4 de agosto de 2013
Arestada
Não procure delicadeza em mim.
Sou rude como rude
é o som da serra
que tomba a árvore na mata.
Não canto porque meu canto é dom ,
ou bonito.Canto porque sinto
esta necessidade incontrolável de cantar.
É desafogo, sina,sei lá...
Sei que perco muito riso,
muitas gargalhadas boas,
porque fico procurando
o rabo da minha melancolia.
Não sou um diamante bruto
à espera de um especialista para lapidar-me.
Nasci pontiaguda e arestada.
Lapidar é minha estultice.
Sempre procurei caminhos
que achei mais sedutores.
Como era divertida a trilha dos amores fáceis!
Enganosas estradas pra lugar algum.
No entanto cá estou.
Meu Ariel tem rosto e nome.
Veio a mim e de mim veio.Bendito!
Mas quem escreve o destino? As estrelas?
Bobagem romanesca.
Amar é intransitivo.
Paixão que estonteia
feito mantra de Zaratustra.
Ah! Misericórdia.
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