Ah ! coração,
acalma teu pulsar acelerado.
Se o tempo não é mais
companheiro, eu sigo ,
parceira fiel : eu, a palavra.
Bem sei de minha fragilidade:
pequena onda que a praia refuga
e o mar leva embora ,
sem olhar para trás.
Se sentir não basta
e se só me encontro
no passado que te trago,
que forças me impelem
a tocar letras, numa página em branco,
qual enxada velha na capineira estéril,
a cavoucar uma semente desconhecida?
Em seu mutismo indiferente,
a folha me afronta. Espera.
Sabe que mais cedo , ou mais tarde,
hei de boliná-la
com minha pena caduca,
a claudicar a linha, a métrica,
as letras, à procura do verbo.
De um verbo que te traga,
coração, um pulsar renovado.
Um mundo de tempo pleno.
O rumorejar das ondas
quebrando na praia
e o vento cantando
sobre campinas verdes.
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