A cidade não tem segredos
para os bêbados e vagabundos.
A cidade eu cruzei num passo,
esmaguei com um dedo
e absorvi
num único trago.
A cidade eu matei no peito.
Ela agora jaz carcaça,
aos pés de ninguém,
sem nada a oferecer,
a não ser as cinzas
de seus cemitérios,
os escombros de casas
que já foram varandas,
e os espectros de seus habitantes
fantasmas.
( Um gato preto acende a noite
com seus olhos tocha
e se esconde.
Um cachorro chora,ao longe,
o osso que não comeu.
E lenta, lentamente,
a aranha , com seu bordado macabro,
tece à mosca
uma mortalha dourada,
à luz de um poste,
na esquina do qualquer.)
Nenhum comentário:
Postar um comentário