segunda-feira, 4 de março de 2013

Noite Vazia

A cidade não tem segredos
para os bêbados e vagabundos.
A cidade eu cruzei num passo,
esmaguei com um dedo
e absorvi
num único trago.

A cidade eu matei no peito.
Ela agora  jaz carcaça,
aos pés de ninguém,
sem nada  a oferecer,
a não ser  as cinzas
de seus cemitérios,
os escombros de casas
que já foram varandas,
e os espectros de seus habitantes
fantasmas.

(  Um gato preto acende a noite
com seus olhos tocha
e se esconde.
Um cachorro chora,ao longe,
o osso que não comeu.
E lenta, lentamente,
a aranha , com seu bordado macabro,
tece à mosca
uma mortalha dourada,
à luz de um poste,
na esquina do qualquer.)

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