De modo sorrateiro
aboletou-se no teto do corretor.
De rabo de olho reconheci logo:
Um feiticeiro disfarçado de morcego.
Percebi sua sombra seguindo meus passos.
Uma cabeça amarela girando pra lá e pra cá.
Liguei não.Também tenho meus feitiços.
Seis todas as poções contra sonhos
delirantes.
Antes discreto, deu pra fazer barulho.
Que me assustar.
-Esta velha mulher? Ô bobo!-
Revira armários de roupas.
Pendurou uma gargalhada no meu espelho.
Derruba retratos do aparador.
Surrupiou-me um livro de Mário Quintana.
Que alemão maluco é este
vociferando no meu rádio?
Onde foi parar a tampa do meu cheiro de jasmim?
O que faz aqui meu azeite de fritar cebolas?
Um caldeirão?
Um sussurro galhofeiro
revela o plano.
" -Vou derreter -te madona.
Vou transformar-te numa santa de pau oco."
E meu espelho partiu-se em dois.
Liguei não,que santa numa fui mesmo
Nem oca, que não sou é barroca.
Me benzi com um galhinho de arruda
e ele desapareceu.
Feiticeiro esquisito, este.
Esqueceu um par de asas na janela.
Asas???!!!
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