na noite de chumbo
e veio nos espiar pela janela.
Visita inesperada, guerreira,
lutando contra um furacão de nuvens
devoradoras de estrelas.
Seu brilho atravessou as frestas
deixadas pela cortina,
deitando no chão do quarto
desenhos tão delicados
que nos tirou do silêncio.
Esta é a lua que herdamos!
Esta lua já foi de iluminar
noites de ventos mais amenos.
Nosso riso na varanda da casa,
cabeças meninas a exibir maneirismo,
cabeças meninas a exibir maneirismo,
balançando pés descalços no banco verde,
pintado pelas mãos de nosso pai.
Calejadas, mas jeitosas ,
no jeito de alisar a madeira
e no gosto de escolher a cor mais bonita.
O banco verde se perdeu no tempo
e nosso pai se foi há tantos anos
que não se mede mais o tamanho da saudade.
Dele ficou o sol, que dourava as espigas no milharal,
e o gosto da pamonha, que nos oferecia,
embrulhada na folha enrugada do milho,
plantado na venerada terrinha .
O sol dos nossos dias nos alimentava,
mas também fazia arder a brasa do castigo
e o menino subia no telhado
mais célere do que o gato escapulia do cachorro.
O sol de nossos dias era riso, muitos risos.
Mas era a lua de nossas noites
quem nos trazia os sonhos
que embalava com sua voz de contralto:
- "Confia em Deus que a nuvem negra passará."
Esta é a lua que herdamos.
Que nos visita nesta noite sombria.
Que nos reconcilia
e nos tira do silêncio.
Lua guardiã de nosso céu.
Teu nome se inscreve
além das nuvens da tormenta.
Lá onde moram as estrelas :
- Lua Mãe !
Ser poeta é uma virtude... ele fala com as estrelas, que iluminam seu coração! é isso aí mana...
ResponderExcluirMe emocionei, como sempre!
bjssss
Tita
Valeu mana!Bjss
ResponderExcluirLenir, seus poemas são de um grandeza, que eu fico aqui pensando o que fazer com eles.Vontade de colocar para o mundo ver. Até aqueles que exibem certa preguiça para a poesia, se renderiam.Da amiga Regina Gaio.
ResponderExcluirAmiga !Bjs
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