segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Ave !

Ah, os filhos !
"Se não tê-los,como sabê-los?" *
Minha mãe pariu treze.
Por treze criaturas esperou
e se consumiu em longas noites
de febre alta.
- Ave, Maria!
Nem Joana d'Arc
que enfrentou guerreiros
aos batalhões!

Mas nenhum que lhe tivesse sido
arrancado das entranhas,
embrulhado em seu sangue,
banhado em seu suor.
Nenhum que lhe pedisse
a bênção de manhã,
olhinhos lacrimejantes,
fome de pão com manteiga,
e ao anoitecer lhe desse adeus
entre sorrisos.
Olhos brilhando de desejo.
Fome de mundo.

Nenhum a quem  murmurasse baixinho
- Meu filho cuidado!
E em gestos mais que resignados,
em alvos panos bordados,
cobrisse sobre o fogão
o prato de comida intocado.

Nenhum a quem a prece ,
à cabeceira da cama,
todas as noites,
não fosse sempre
a mesma cantiga de ninar:
"Que o Arcanjo te guie
 Que o Arcanjo te ilumine
 Que o Arcanjo te proteja
 E que sejam tantos os Arcanjos
 que não faltem
 a nenhum filho meu."

Amém ,Mãe !

* Vinícius de Morais




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