ela já judiava de mim.
Esta, que hoje
me faz crispar os lábios
e chega a me entorpecer os sentidos.
Mas devo recebê-la com júbilo,
pois que me vem exorcizar fantasmas.
Nunca me permiti os folguedos
sem carregar comigo
o fardo da precoce consciência
da inocência passageira.
Não era o bastante virar o rosto
e reinventar brincadeiras:
trapezista na corda bamba,
bailarina de tutu-crepom...
Ainda menina
ela já estava
a cutucar feridas
que ainda não sangravam
em mim.
Hoje sei de onde o olhar no horizonte.
De onde a melancolia.
Ainda menina...
E eu nem me despedi,
amiga do sorriso branco,
amiguinho do riso fácil.
Mas já sentia o gosto do adeus,
quando a curva do tempo
levava o dia embora
e o sol se escondia no anoitecer
da nossa meninice.
A retina marcada pelo brilho diamante
do saibro rosado, molhado pela água da chuva.
A pracinha que acolhia generosa
um arco-iris de crianças.
E assim vai a memória ,
casa da saudade,
revirando seu calidoscópio de lembranças
doces-acres-doces.
Hoje eu sei de onde o olhar no horizonte.
De onde a melancolia.
Ainda menina...
Melancólico, mas bonito.reca
ResponderExcluirQueria ser diferente, fazer diferente , pensar diferente, mas não posso fugir do que sou.Bjsss amiga.
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